Viro
pra um lado, troco o travesseiro de posição, tiro as meias, e nada,
nada do sono aparecer. Segunda-Feira, são 3:23 da manhã e eu não
consigo pregar os olhos. Insônia de novo, e nessa situação chego a
concordar com quem diz que a solidão e a falta de sono andam juntas.
Pego
o celular, e te mando uma mensagem, mas não é uma simples mensagem,
mando a primeira música te enviei logo quando te conheci, e lembro
que você ficou me mandando alguns trechos de volta. Que tola!
Suspiro, e nem aguardo mais alguma resposta. Ainda que ser ignorada
por você seja ruim, ouvir as besteiras que você me diz tentando
justificar o porquê de você ter rompido comigo logo após me fazer
promessas pra vida inteira, me faz se sentir ridícula.
Sento
na beira da cama e me enrolo no cobertor tentando encontrar algum
calor. E me veem você na cabeça, de novo e de novo, e de novo…
(não é isso que diz naquela música que a gente tanto gostava de
ouvir juntos?!) Lembro da primeira vez que dormi na sua casa, de como
me senti plena como nunca tinha sentido antes, e aí me sinto
ridícula, e pergunto: “Porque diabos isso foi acontecer comigo?!”
E aí lembro de você sorrindo, e involuntariamente acabo sorrindo
também. Mas que merda, dá pra te odiar por inteiro?! Dá pra
ignorar qualquer lembrança?! Já fiz isso mil vezes com outros
caras, e porque com você é tão difícil? Que macumba, feitiço,
amarração foi essa que você ou sei lá quem lançou sobre mim?
Tento
voltar a dormir mais uma vez, e nada… De novo as nossas lembranças
veem me atormentar, e então desisto — Não quero mais dormir,
merda! Mas que saudade, que falta, que vazio, que vontade de estar
com você, de ser como um dia já foi. E aí rola uma das maiores
ironias, caiu em mim e percebo que não sofro por você ter rompido
comigo, mas sim porque nunca, jamais seremos o que fomos um dia.
Ainda que um dia cheguemos a nos resolver, nunca mais teremos a
leveza, a sutileza, e a autenticidade que um dia já tivemos. E
pensar isso, é pior que pensar que te perdi.
Prendo
o choro, e volto a tentar dormir, e percebo o quão irreconhecível
você me deixou, não só pelos porres que tenho dado. Coisa mais
feia do mundo, ficar chorando bêbada por alguém, nunca fui disso.
Mas em questão de mudança, isso é o de menos, eu digo pelo
desespero que sinto durante o dia, de ficar falando de você pras
minhas amigas — sabendo que nem elas mais aguentam me ouvir falando
sobre isso.
E
aí eu só te peço uma coisa: Me devolve, por favor?
